RACIOCÍNIO CRIATIVO NA PUBLICIDADE
STALIMIR VIEIRA
Versão digital para uso didático.
Não por ser vendido de forma alguma.
Prefira sempre comprar o livro original.
P r e f á c i o
As diretas da vida
ROBERTO DUAILIBI
O LIVRO do Stalimir trata de um tema que assusta as pessoas convencionais: a paixão. É esse sentimento que toma as pessoas, associado à criação de anúncios.
Podem duas coisas aparentemente tão diferentes ser associadas?
Pode uma criatura humana condicionar-se para usar a paixão para produzir uma campanha, por exemplo, ou um slogan, ou um comercial de rádio?
A paixão não escolhe tempo nem lugar; ela pode tomar conta de você sem nenhuma explicação. Eu tenho um amigo, por exemplo, que se apaixonava por detalhes de garotas: "Ela tem uma pintinha no rosto que é uma graça"; ou "precisaver os dois fios de cabelo castanho que brilham ao sol!”.
E há os Romeus e as Julietas, os Otelos e as Desdêmonas e as Dalvas de Oliveira e os Heriveltos Martins.
Agora, imaginar que um sentimento tão poderoso seja aplicado ao
trabalho, e que esse trabalho depois será submetido a um comitê no cliente, e que depois de publicado será julgado pelos colegas, e, não apenas isso, pelos consumidores, que respondem a pesquisas de recall e a estatísticas de vendas —só o Stalimir poderia imaginar.
Porque é preciso conhecer o Stalimir, para saber que ele levou a sério a frase do Gibran Khalil Gibran: "O trabalho é a imagem completa do mais perfeito amor".
Qualquer que seja a tarefa na qual esteja envolvido, o Stalimir a toma como se a humanidade inteira dependesse dela. Ele é assim desde que nasceu (acho), desde que começou a trabalhar em publicidade na DPZ de Porto Alegre,
quando foi um excelente redator na DPZ de São Paulo, e foi seguir seus caminhos na vida.
Lembro-me de um episódio que vivi com ele. Na eleição de Tancredo Neves, ninguém dava a menor pelota para seu vice, José Sarney. E ele não tinha dinheiro nem para tirar uma foto a fim de mandar fazer um cartaz. Por intermédio
de um parente do Maranhão Sarney me procurou, para ver se poderíamos fazer
uma foto dele. Naquele tempo tínhamos o estúdio fotográfico dentro da agência,
na Avenida Cidade Jardim, em São Paulo. No dia da foto, resolvi convidar Sarney
para visitar os onze andares da DPZ, coisa que ele fez com grande satisfação.
Percorria cada andar cumprimentando funcionário por funcionário. A gigantesca maioria nunca havia ouvido falar dele e muito menos sabia que ele era o candidato à vice-presidente.
Quando foi cumprimentar o Stalimir, que trabalhava no quinto andar, Sarney percebeu que o redator, numa atitude hostil, nem tirou o olho do teclado da máquina, estendeu o braço sem se virar, e fingiu depois ignorar a presença do candidato.
Depois de me despedir de Sarney, voltei ao quinto andar e fui cobrar do Stalimir a atitude mal-educada. "Se alguém está em nossa casa", disse-lhe, "você tem obrigação de lhe dar abrigo".
"Mas ele votou contra as Diretas!", retrucou Stalimir.
Este é nosso autor. Agora você é seu hóspede, quando entrar no livro Raciocínio criativo na publicidade. Ele lhe dará abrigo e proteção.
Se você é um jovem da área de criação e se sente perseguido e oprimido por seu diretor de criação, por seus colegas, pelo cliente, pelo mundo, venha se exilar nas páginas do livro de Stalimir. Você voltará com maior conhecimento de si próprio e de sua capacidade — e mais rico para enfrentar as diretas da vida.

